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Porque é que a Web 2.0 é importante : vida online

"Não sei se há muitos fãs do termo: WEB 2.0, mas facto é que desconheço melhor termo. Pois é, as pessoas falam acerca da web semântica e da web tipo lê/escreve, mas isto é apenas uma fracção do que verdadeiramente se passa. É claro, Web 2.0 é um termo de negócios... e por uma boa razão.
Permitam-me que explique:"

Traduzi o texto de Danah "Why Web2.0 Matters, Round Two", ficou um parágrafo sobre o remixing por traduzir.



"A indústria da tecnologia tem as suas fases. Muito antes das massas estarem online, as pessoas estavam a quebrar barreiras e a falar, desrespeitando distância ou tempo. Estávamos a trabalhar na direcção de uma aldeia global onde toda a gente poderia partilhar as suas ideias e paixões. Para todos os propósitos, era pequena, íntima e homogénea. Então, alguns homens de negócios perceberam que havia dinheiro para ganhar e precipitaram-se em direcção ao boom.

Olhando para trás, existem muitas razões para sossobrar em relação ao boom ( e normalmente envolvem maus-olhados na direcção de MBAs). Por debaixo do frenezim e caos, havia no entanto, entusiasmo genuino. Este último levou tanta gente a pensar de um modo criativo, a expandir os seus horizontes, a antever um futuro e a trabalhar na direcção do mesmo. Parecia que MDMA tinhas sido despejado nas canalizações — serotonina fluia por todo o lado.

E depois, :: crash :: o fado de terça-feira instalou-se e as pessoas vaguearam as ruas de São Francisco parecendo corpos sem noivas no horizonte (tradução literal).

Não há dúvida que neste momento as coisas estão muito inflaccionadas. E que as pessoas temem de certo modo a inflacção, o frenezim. Mas porque é que ravers metem drogas mesmo cientes do fado das terça-feiras? Porque por momentos se sentem muito bem. As pessoas estão a fervilhar com novas ideias, empenhados, com aquele brilhozinho nos olhos, querem mesmo inovar. A inflacção [entenda-se hype] faz isso, mesmo que o preço seja muito alto.

Mais do que qualquer coisa, o que a Web 2.0 está a demarcar é essa inflação, a próxima onda de entusiasmo que está a atingir os programadores. É uma onda que já está a ter os seus resultados em dinheiro, paixão e criatividade. É óbvio — ontem vi tantos tipos de MBA na loveparade que me encaracolou o cabelo.

Pressões económicas:

Em "Código", Lessig lembra-nos para sempre prestar atenção aos quatro pilares que funcionam como forças em qualquer tipo de mudança: mercado, lei, sociedade e arquitectura (código). Quando as quatro se alinham, a evolução dá um salto. O boom emergiu quando o mercado e a arquitectura se alinharam de um modo convidativo para a sociedade. A lei no entanto permaneceu espectadora. E depois, tudo se desmoronou quando o mercado e a arquitectura deram de si (sem modelo empresarial)... a confirmação que a sociedade não estava assim tão entusiasmada, (afinal porque é que quero comprar tudo online?). Isto acoplado à crescente pressão da lei (MS. vs Netscape, Napster).

Agora estamos na próxima onda de congeminação — o mercado e a arquitectura estão de novo a forçar, só que desta vez mais conscientes da importância da sociedade (mas ainda assustados com a lei). Web 2.0 é o termo de negócios (empresarial) para esta congeminação, uma tentativa para marcar uma mudança.

Já ouvi muita gente queixar-se do fácil que é etiquetar algo para criar mudança. "A mudança nunca é brusca!" queixam-se. Tecnologicamente têm razão. A evolução tem sido algo linear. A maior parte do que é etiquetado Web 2.0 não é nada de novo — o javascript glorificado, ferramentas de publicação empacotadas, abertura explícita e considerada. Não existe então, nenhuma mudança tecnológica, verifica-se isso sim, uma mudança ao nível do negócio.

Recuemos um pouco. Depois do crash, nas ruinas restaram uma mão cheia de empresas. Microsoft, Amazon, eBay, Yahoo!, Macromedia... Na maior parte, estas companhias não competiam directamente e passaram os próximos anos a apetrechar-se para um próximo sismo. Aí surgiu a Google. Primeiro ninguém se importou e muitos até adoraram a companhia algo estranha que havia surgido. Mas de um modo lento e inexorável a Google tem vindo a competir com todos os sobreviventes do boom nos seus distintos desportos. Na sombra da Google começaram a surgir várias start-ups, inovando de maneiras completamente imprevistas. Isto fez com que as bestas do primeiro assalto despertassem, e aí estão, mais competitivas que nunca. A Microsoft tem mais medo de Washington que outras companhias por isso investe em pesquisa na ásia. Adobe está a jogar à Microsoft e a comprar a competição (sob o gentil termo: fusão). Web 2.0 é assim, um marcador da revigoração competitiva mais do que tecnológica.

A piada no contexto académico é que estamos obcessionados com estruturas de longo-prazo e gostamos de entender padrões situados num corpo mais vasto de conhecimento. Alguns de nós estão reclinados, tentando fazer sentido das forças emergentes, que implicações a nível económico, legal, social e tecnológico se podem prever. Somos meta.

E cá vamos...

Haverão crescentes avanços tecnológicos, mas para serem significativos têm que ser adoptados ao nível social. Sim, javascript e o acto amador de publicar estão entre nós há anos, mas nos últimos dois anos os índices de penetração têm sido incríveis devido ao AJAX e ferramentas de blog. É claro, o engraçado é que continuo a ver anúncios de emprego pedindo "Programadores Web 2.0" mas ainda não vi nenhum anúncio para "Cientistas Sociais 2.0". (...)

Ainda acredito que a resposta para deslindar muito disto está na

Então o que vai ser a Web 2.0? Neste momento é apenas um sentimento inflaccionado a motivar inovação. Deverá então ser arrefecido sob pena de um novo crash? Ou deverá ser encorajado porque se inovará no processo. Como é que prevenimos a tomada do barco da inovação pela ganância? Como é que o contexto académico pode providenciar as estruturas necessárias e coexistir de um modo criativo com a indústria? Como é que o negócio pode inovar ao nível social? Como é que a lei vai tentar desacelerar tudo isto (o Remix está definitivamente a brincar com fogo)? Como é que irá suportar ou abanar a hegemonia? Como é que esta energia inovadora pode mover-se para lá de apenas algumas (e sempre as mesmas) regiões?

Conheço muitas pessoas que não quem subir a bordo por causa do sentimento inflaccionado. (É engraçado: o negócio fica mais activo com esse sentimento (hype); enquanto que a academia tende para o cinismo.) Cá para mim, acho que a inovação e cultura tecno-social precisa de estar envolvida e ajudar a rumar o navio na direcção positiva. Se não este último colapasará nas mãos do negócio ao invés de concretizar o seu verdadeiro potencial e afectar as vidas humanas de um modo positivo."



Por Kwame /
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Ok. O Nogome começou por ser o Blog de uma Pós-graduação em Webdesign. Agora é um espaço que cria, agrega e traduz para Português notícias no contexto dos NOVOS MEDIA (que por acaso já não assim tão novos); Media Tangíveis; Realidade Aumentada; RFID; Mobilidade e as nova relações que catalizamos com e dentro da metrópole; a problemática das interfaces; [re]design; estética que advém da computação; redes sociais articuladas; activismo... e tudo o que se prende com a representação de informação. Se estás a desenvolver um trabalho de investigação, se és docente ou discente e possuis notícias ou projectos que aches relevantes, envia um email para nogome arroba nogome ponto com.

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