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Será o vermelho, o melhor amigo dos atletas?
Nas touradas, instiga a raiva dos animais. No trânsito significa perigo. Normalmente está associada ao descontrole emocional. Falamos do vermelho, uma cor que, segundo revela um estudo de uma universidade britânica, estimula o espírito competitivo dos atletas.
Já há muito que se sabia que o vermelho é uma cor poderosa, símbolo de paixões exacerbadas e violentas e de perigos mil.
Agora, um estudo de uma universidade britânica, publicado na revista «Nature», veio revelar que esta cor pode ter um papel importante nas vitórias desportivas.
O trabalho, agora divulgado, foi desenvolvido por dois antropólogos e estabelece uma relação de causalidade entre o vermelho e o acirrar do espírito competitivo entre os atletas masculinos.
Numa entrevista citada pela agência Reuters, Russel Hill, um dos antropólogos responsáveis por esta investigação, revelou que, depois de ter analisado várias competições desportivas, de quatro modalidades de combate, nos Jogos Olímpicos de 2004, se verificou que os atletas que se vestiam de vermelho estavam normalmente em vantagem.
Hills e o seu colega Robert Barton descobriram ainda que, se dois atletas estiverem mais ou menos equiparados, em termos de capacidades e destreza, vestir-se de vermelho pode ser determinante para o resultado de um confronto. De resto, os dois antropólogos constataram que 55 por cento dos vencedores usavam um equipamento vermelho, um valor muito superior àquele que as probabilidades estatísticas ditariam.
Os dois cientistas ainda não conseguiram explicar de que forma é que esta cor afecta positivamente os atletas. Contudo, Hill considera válida a hipótese de o vermelho provocar um aumento súbito dos níveis de testosterona no atleta que o usa no seu equipamento.
Para este cientista, a hipótese de esta cor provocar um decréscimo nos níveis da hormona masculina, no seu adversário, também deve ser considerada.
Se algumas destas premissas for comprovada isso pode significar que as reacções humanas não são assim tão diferentes das de alguns animais.
No reino animal esta cor está, desde há muito, relacionada com os níveis de testosterona, sendo associada à masculinidade e à capacidade de competir e de dominar um território.
Apesar de este estudo se ter debruçado apenas sobre o comportamento dos atletas do sexo masculino, os dois cientistas duvidam que os resultados obtidos em mulheres fossem semelhantes. É que conforme explica Hill «as mulheres não usam o vermelho para sinalizar o seu carácter dominante».
Os dois investigadores analisaram ainda alguns jogos do Euro 2004 para averiguar se a influência do vermelho se podia estender até aos desportos de equipa, como o futebol.
Resultados preliminares deste estudo indicam que no Campeonato Europeu - onde as equipas vestiam camisolas de cores diferentes nas várias partidas - o vermelho teve o mesmo efeito 'energético'.
No caso da Selecção inglesa, que usou a camisola branca, em alguns jogos, e a vermelha, noutros, os investigadores verificaram que os resultados foram mais positivos quando os jogadores vestiram a camisola encarnada.
Para além da Inglaterra, Russel Hills e Robert Barton constataram que outras cinco equipas - que usaram t-shirts de cores diferentes - jogaram melhor de vermelho. Esta equipa vai continuar a investigar a hipótese de esta cor afectar positivamente o desempenho dos atletas de outras modalidades.
Se este facto ficar definitivamente provado, os dois cientistas avisam que o uso desta cor em competições desportivas poderá ter que ser regulamentado.
