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Novas conclusões reacendem polémica sobre Sudário de Turim
Um cientista americano divulgou um relatório no qual defende que o Sudário de Turim tem entre "1.300 e 3.000 anos", refutando a datação por Carbono 14 efectuada na década de 80. A maior falsificação de todos os tempos ou verdade irrefutável? O debate científico continua.
Esta semana, um cientista norte-americano reacendeu a polémica sobre a veracidade do Sudário de Turim, também conhecido como o Santo Sudário, um pano em linho de 4,36 por 1,10 cm, em forma de "espinha de peixe". Neste está misteriosamente gravada, como se fosse um negativo, a imagem de um homem de 1,80m de altura, que apresenta traumatismos decorrentes de uma possível crucificação. Para os cristãos, esta é a prova inequívoca de que se trata do rosto de Cristo gravado no tecido. Porém, uma investigação aprofundada sobre a relíquia mais disputada da Cristandade, guardada na Catedral de São João Baptista, em Turim, desde 1578, lançaria durante décadas o debate sobre a veracidade do Sudário.
Os mais cépticos consideram a peça, um verdadeiro embuste; outros defendem ter sido uma 'partida' engenhosa (a primeira experiência "fotográfica") levada a cabo por Leonardo da Vinci; outros há que a associam à maior falsificação medieval de que se tem conhecimento.
Porém, na década de 80, um grupo de cientistas das Universidades de Oxford, em Inglaterra, de Tucson no Arizona, EUA, e do Instituto de Tecnologia de Zurique, na Suíça, estavam apostados em descobrir a verdade. Para tal, foi cuidadosamente retirado um pedaço de tecido do Sudário. Posteriormente, a partir da amostra submetida aos testes do Carbono 14 (C-14), os especialistas chegaram à conclusão de que o tecido tinha uma "idade não superior a 723 anos. Data entre 1260 e 1390. Século XIII" .
Agora, em pleno século XXI, a comunidade científica e religiosa volta a confrontar-se com os resultados de um novo estudo que parece refutar a datação por C-14. Raymond N. Rogers, cientista do Laboratório Nacional Los Alamos, no Novo México, publicou no site Science Direct as conclusões de um relatório no qual o especialista refuta os testes realizados em 1988, defendendo que o Sudário de Turim tem entre "1000 e 3.000 anos" . De acordo com o investigador de Los Alamos, a datação por C-14, que levou à teoria de que o tecido teria sido confeccionado entre 1260 e 1390, pode estar errada. O investigador garante que teriam ocorrido alterações químicas no próprio tecido do Sudário, provocadas pelo incêndio de 1532 na capela de Turim. Raymond N. Rogers observou ainda que "as substâncias encontradas na amostra de tecido, detectadas no teste de datação radiométrica, não eram utilizadas na Europa, antes de 1291" . Aquele investigador vai mais longe e argumenta que a "amostra recolhida na década de 80 não fazia parte do tecido original e, como tal, a determinação da idade do Sudário deverá ser considerada como inválida" , escreveu no polémico relatório.
A discussão em torno do objecto mais estudado pela Ciência continuará a espicaçar a curiosidade de especialistas de várias áreas do saber. A verdade, essa, continua envolta em dúvida. Os cientistas ainda não conseguiram descobrir que processo originou a imagem gravada no tecido.
Guardada em segredo na Catedral de Turim, a relíquia foi exposta uma única vez, em 2000. Segundo a Reuters, só em 2025 o Sudário de Turim será novamente exibido.
