o nogome está em fase de re-estruturação.
Num avião entre Pequim e Chengdu um designer gráfico sentou-se ao meu lado. Comecámos a conversar. Este disse-me ser designer gráfico. Tinha estudado em Shanghai. Mostrei-me interessado, ao que este replicou, "É uma profissão inofensiva." Mostrei-me frustrado. Sim, realmente a 36 mil pés de altitude a profissão pode parecer inofensiva, quando comparada com a de um piloto. No entanto alinhavo alguns pensamentos assim:
Muitas vezes os designers acreditam estar a trabalhar no sentido do *melhor* interface, como se houvesse um bem universal. E muitas vezes esquecem-se que o design existe num contexto cultural e político único.
A construção social de uma tecnologia; configuração do utilizador;
Como escreve Thomas Frank_ "Rebel youth culture remains the cultural mode of the corporate moment."
Quanto mais cool for o teu portfólio, mais rapidamente este é incorporado numa campanha inflaccionada, efectuada por assalariados mal pagos, comprada por aqueles que possuem demasiado. A criação do cool nunca é inofensiva — independentemente das boas-intenções dos criadores. Design não-rebelde não habita o domínio da ambiguidade complacente. Tomemos o exemplo de Paul Rand, criador do logotipo da Enron (1996). Sim, os designers gráficos estão condenados. Quanto melhor pagos são, mais provável é possuirem um trabalho a vender algo que ninguém precisa a pessoas que provavelmente não podem comprar mas compram na mesma. Dirijo-me especialmente aos designers da Enron. Não estão obviamente na mesma liga que Ken Lay, mas a inocência é virtude que também não lhes cabe. Como todos nós, eles estão a pagar a renda da melhor maneira que sabem.
Uma resposta típica a esta situação é fazermos muito trabalho voluntário para compensarmos os relatórios de contas e cartões de executivos que efectuamos. Outra alternativa é, fazer menos dinheiro e trabalhar para clientes cujo projecto social seja mais interessante. Nenhum dos dois aborda a segunda grande razão pela qual o design gráfico não é, nem nunca foi — inofensivo.
Esqueçamos as árvores abatidas e os Vermelhos Pantone dos rios poluídos. O design gráfico é a língua nativa da era do excesso de informação, a língua franca do caçador cool e do panfleto publicitário que acaba esquecido num canto da sala. Todos pensamos em designers gráficos como aqueles que paginam livros, posters políticos ou a fabulosa sinalética de um aeroporto. Quando Steven Heller faz referência a um questionário para auto-avaliação ética do cidadão (designer)criado por um santinho chamado Milton Grazer, ele só menciona casos onde os designers criam de um modo enganoso, iludindo visualmente o utilizador. Mas a maior parte dos designers não criam "safety manuals". Criam flyers que pululam os pára-brisas e panfletos que vão directamente para o lixo, embalagens para cuecas e às vezes, sim — popup ads. Neste último caso, o prejuízo não está na ética coorporativa do designer, não. Está no singelo facto de aceitarem o trabalho. Assim a maior parte do que um designer gráfico faz na vida não é inofensivo, nem por sombras.
Acreditar na "natureza inofensiva" do design gráfico como indústria (apesar das provas empíricas que todos os dias enchem as nossas caixas de correio) é ir na direcção de uma catársis que todos nós, membros activos da comunidade criativa, precisamos de tempos em tempos. Eu também já criei catálogos de lingerie e bilhetes de combóio. Designers gráficos podem olhar no espelho e afirmar que não são soldados por encomenda, executivos de petrolíferas, ou técnicos de vendas de fundos de pensão. Isto porque o design gráfico torna o mundo num sítio mais interessante. Quem é que não prefere uma revista bem paginada a um mero exercício de estilo com páginas? Podemos sempre acreditar que a mensagem que vendemos é mais importante do que a que outros vendem, qualquer que seja a mensagem, já somos jornalistas incluídos no próprio cenário de Infocalipse.
