o nogome está em fase de re-estruturação.

Na versão digital da revista mensal Redes li um artigo sobre populares hotspots. A falta de visão e parcialidade corporativa de alguns editores deixa-me boquiaberto [alguns segundos] e depois zangado [indefinidamente].
Todo e qualquer possuidor de uma ligação à internet de banda larga pode facilmente criar um hotspot. Neste contexto os hotspots, surgiram para disponibilizar de um modo gratuíto a internet a todo e qualquer utilizador munido de um laptop e uma modem sem fios.
Diga-se que para criar um ponto de acesso é apenas necessária uma placa de rede sem fios e uma caixa de pringles. ++
Juntem-se, criem clubes onde todos contribuem para a disponibilização de uma maior largura de banda e um serviço de maior qualidade do que o possibilitado por uma caixa de pringles, mas não fiquem à espera que empresas como a Quickaccess monopolizem um domínio que a todos pertence.
Clubes estes que possuem a particularidade de pertencerem a um bairro[partilha da mesma singularidade geográfica], um prédio, que por sua vez fará ligação com outros nódulos criando uma verdadeira rede. A palavra disseminação e humanização de interesses farão finalmente sentido; revistas como a Redes começarão a constatar que a revolução tecnológica sem-fios tem consequências sociais mais relevantes do que dividendos económicos. No fundo estamos a falar de pessoas e não cartões que custam 25 euros por dia para um acesso que tem obrigatoriamente que ser grátis. É aos serviços [no caso das docas, a restauração que sempre lucra com a presença dos utilizadores na área] que cabe pagar esta conta.
Sós ou em ajuntamentos, sigam as instruções e criem pontos de acesso, estabeleçam redes, até que a sua escala se torne demasiado grande para ser ignorada, e as corporações em vez de congeminarem estratégias para espremer mais uns euros à inertia mediocritas, comecem a debater e concretizar software de mediação social mais criativo e representativo dos desejos do indivíduo e comunidade.
Estranho é que um programa como o POSI[dinheiro do contribuinte] esteja a financiar em 65% estes projectos. O domínio dos hotspots engloba o domínio da junta de freguesia. Cabe às juntas de freguesia reclamarem estes fundos para os seus cidadãos e financiarem pontos de acesso grátis nos seus bairros.
Devem ser as corporações e serviços a pagarem a infra-estrutura. Esta revolução compreende várias temáticas, desde o reordenamento urbano à reciclagem do tempo de utilização e socialização.(...) Se as corporações querem lucrar com o espectro do cidadão (2.4 ghz, 802.11b) então aqui vão algumas dicas:
Construam placas de rede mais rápidas e baratas.
Construam laptops mais baratos.
Criem software que tenha em mente o individuo como ser social ao invés de homo economicus.
Leiam o paper da Tamara, e por favor não aparecem em revistas com poses de conquistador a afirmar que estão a prestar um serviço à comunidade.
Que proliferem os hotspots grátis.
Imagem cortesia de NYCWIRELESS.
