Londres fascina-me. (contrariamente a de arroz de polvo...)
O verdadeiramente apaixonante, no entanto, não se esconde nas fachadas dos edifícios nem nos recantos intrigantes dos infinitos parques que fazem desta cidade um hino ao sol, esse Deus sublime, que nos visita com a frivolidade de uma criança mimada.

Tube in motion @ Baker Street
Este mistério fascinante reside nas pessoas. Londres está pintado com mais cores do que o arco íris revela. A multiculturalidade, essa louca divã do espírito urbano, desde o Soho até Portobello, Tottenham Court Road e Camden, define uma cidade vestida de retalhos trazidos desde os mais surpreendentes e inesperados cantos do planeta. O vasto império britânico assume parte dos louros e das culpas, mas Londres com o seu charme floydeano cativou outros visitantes, que se transformaram em habitantes, com o seu charme de taxis negros, de casas de tijolo à vista e cabinas de telefone encarnadas.
No meu atelier, segundo uma pesquisa recente, trabalhavam pessoas oriundas de 29 países. Desde a Argentina até à Nova Zelândia, do Kosovo até ao Iraque, há ainda tempo para um português, para provar que as desilusões do futebol da cruz de St. George foram esquecidas. (houve momentos em que temi!...)
Naturalmente, aqui em casa seguimos este ritmo à regra. Basicamente, a casa é composta por 4 personalidades, cujas diferenças acabam por enquadrar no fundo duas origens distintas. Os latinos e a escandinava.
Há dois portugueses e uma espanhola; os partidários do sul, dos pássaros e do “tá-se bem e venha mais uma”. Há também uma finlandesa, exemplo acabado do norte europeu, com tendências depressivas e um isolamento contido num olá mais gélido que um smirnoff on ice.
Os portugueses são a parte ligeira da casa. Um é louco pelo trabalho, um verdadeiro workaholic que encontra o conforto e o equilíbrio em frente ao portátil, a mudar o mundo. Sem horários nem agitações, é o pilar da casa.
O outro, é o exemplo acabado do serial music gigger. Vive como passarinho, entre os dentes dos crocodilos que por vezes infestam esta casa de uma complexidade desnecessária. Retira-se tranquilamente no seu quarto virado para o jardim e namora com a lua, ao som da guitarra envergonhada.
A espanhola, define na primeira pessoa a “fúria” espanhola. Vive num remoinho tumultuoso que só encontra paralelo no seu oposto, quando consegue ser a mais doce e carinhosa personagem.
Para terminar, posso acrescentar que na ilustre casa do Benfica de Londres (leia-se antes “típico antro de um provincianismo atroz”) sou servido no tasco por um sportinguista que de portista só não tem a cor, e no restaurante por um conjunto de empregados que são tão azuis como o sabão macaco. Relato isto com enorme satisfação, pois representa a imagem mais acabada da contribuição portuguesa para a multiculturalidade londrina. (ou isso, ou o zoo estava lotado...)
London rules. But please... MIND THE GAP!
Welcome to my ongoing diary of thoughts and projects.
Here I sketch the storyboard of 2 characters, trapped in my body and linked to the world through my senses. They control my brain in a constant search for life waves, the eternal energy that feeds their souls.
Gummavitta is the explorer, the architect and the scientist. He searches the hemispheres of the earth, the mind and the human condition.
Mummagumma is the traveler, the painter and the dancer who collects Gummavitta´s experiences and memories and applies them to achieve connections. Connections with himself, which means you and I, us and them.

Como concordar mais ?
Cidade de excessos, de "Sir's" e de "Freaks", de snobs e de dreads.
Museus de todos os tipos, para todos os gostos, onde as entradas sao livres (!), o que se quer numa verdadeira democracia, pois a cultura é de todos e não um privilégio mas sim uma obrigação !
É como uma New York europeia. Multicultural, altamente cosmopolita, onde se ve de tudo e de todos....
Please, mind the gap and look right !
Posted by: Marcos