I guess I've always been very conscious of time. Units of time have been agreed upon, but each individual relates to those in a different manner. How can technology empower individuals so these may be increasingly aware of social performance as a constant negotiation of slightly desynchronized time units as opposed to constantly try to impose a unified rule of time.
memocracy;
enchufada [pt] ;
nogome [pt];
kwame *at* friib [dot] com


O projecto localiza-se no topo de uma avenida interrompida, no coração de Lisboa. Neste local confluem modelos de cidade distintos. De um lado a reticula das avenidas novas e o Bairro Azul, do outro, a presença do Hospital novecentista Curry Cabral. A norte, mesmo junto ao terreno, a presença das vias férreas da linha de Alverca. Estas várias dinâmicas moldam o projecto numa espécie de metamorfose entre a fluidez da linha férrea e o traço calculado das avenidas novas. O edifício faz-se constituir por uma série de gestos rítmicos, associados à ideia da passagem do comboio, e folhas metálicas curvas que serpenteiam pelos espaços "agarrando" espaços actualmente desligados. Esta fluência de diferentes dinâmicas traduz-se graficamente no passeio público que se constitui entre a fachada da residência e a Av. de Berna.
Os cabos metálicos da fachada Sul, que se projectam para o exterior na sequência dos lanços de escadas, sugerem simbolicamente uma âncora em oposição aos movimentos periféricos.
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The project is located at the end of an unfinished avenue. The surrounding shows a visible decay, and different city models around have no connection. Further than to resolve the practical aspects of the building, the project had to deal with the urban issue and resolve this lack of space continuity.
Since this is a place of convergence between "cities", and also sits right next to a major train line, these various dynamics mould the building into a metamorphosis between train fluidity and orthogonal city plan. The residence becomes then a series o rhythmic gestures, and the metallic "leaves" snake around connecting spaces. The steel cables on the south elevation evoke an anchor opposing to the movements around.

Planta de tipo tipo com tipologia de quartos duplos.
Reference plan for double bedroom tipology.

Vista a partir da praça - View from the public Square.

Vista para as áreas de convívio - View to the communal areas

Vista a partir das linhas do comboio - View from the train lines













António Miguel Sousa
gummavitta@gmail.com
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Please download my CV or e-mail me at gummavitta@gmail.com for an updated version or any further information.
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When in 1975, my parents escaped the war in Angola, they didn’t expect to have any further offspring. The return to a Portugal consumed by endless years of fascism, where prejudice was the cold blanket that welcomed the ones coming back, was the cruel task dictated by the instinct of survival.
Portugal sailed the troubled waters of a young democracy. The shelter they found was a basement, cold and dark, with the wine odour forcing a constant confrontation with reality. The partitions where made by long vertical cloths, hanging from the humid ceiling of that rural northern country village. It was in this atmosphere that the third son arrived: António Miguel.
The madness of the African war had eclipsed everything that we owned. All except our perseverance.
The years after I was born were very hard. Work was the reigning law seven days a week, and only the night provided the love and care that we could always count on.
On the first day of school, the teacher asked me: “What do you enjoy?” “Drawing”, I replied. That had always been a point of balance with myself; through a pen.
It was a free childhood. My parents worked all day while I climbed the trees and fell of bicycles. I returned home with sandy feet, covered in dust. I would always be the last one to join the table, to feed myself with the spirit of five that never left me: My family, they meant everything to me.
When my sister got married I was in my teens, but I still wept, because she was leaving us. I felt that that table would never be the same. It was the moment of irreversible rupture with my childhood.
Fresh out of my 15th anniversary, we crossed the country following the birds towards the South, to go living by the sea. In the South I found the opposite of my nature, and somehow I blend in perfectly. It was a relief, as my distant brothers where a constant source of nostalgia. I wrote them every week, and the distance was never enough to separate me from my friends that I left behind.
To live five Springs in the Algarve was a true privilege, and those days have reserved me some wonderful memories. It was during this time that I’ve also found the other point of balance with myself: Music. I remember with sadistic detail the places and exact circumstances when I first heard Pink Floyd’s classic albums, and many others. It was tremendous. It still is...
However, soon it was time to change and the Architecture University created the situation to move from home which was the first real step towards an old dream.
In college I lived some fun days. Behind were 12 years of a school system I have always abominated. Finally I was studying for something that I’ve always wanted to be. From those days I remember with special tender the spirit of my band – Taliesin, and the endless rehearsals at night around the empty classrooms. Lisbon was the magnificent 3rd vector of a country by this time all mine.
During the forth year of my degree I’ve embarked on a student exchange program, taking me to Venice, Italy. It became possibly the most rich and deeply defining period of my life. Amongst many factors, the group of friends I found in the band McTant; a truly rewarding academic project; and living in the most surreal place ever, were a big part of it. I still feel the reflexes of that experience with great satisfaction.
I had less fun on the final year of the degree, but from that period I will always remember two moments: The day when I met my most important creative reference, Roger Waters, for a one on one talk, and my father’s tears when, on the phone, I told him I had finished my degree. I love my parents beyond any infinite…
Since then, my architectural practice has been a pleasure, which allied to several trips around the planet, have made a privileged citizen of the world of me. It was on that same philosophy that in 2006 I have decided to realise my old dream of living in London, a city for which I had a special appeal and an absolute fascination. Two years down the road, it was time for a new adventure, taking me all the way to the other side of the world. A non European culture and the southern hemisphere are just some of the reasons to make Sydney my new home. Other dreams are still out there to be fulfilled, but for those, there is still so much sea yet to sail.
Sydney, August 12th 2008

Esta é a minha pequena história:
Quando em 1975, os meus pais fugiram à guerra que devorava a savana angolana, não pensavam voltar a ser progenitores. Regressar a um Portugal dominado pelo pesadelo imposto por uma ditadura lenta e amarga, onde o preconceito era o abraço frio que recolhia os que regressavam, era a tarefa cruel imposta pelo instinto da sobrevivência.
Portugal navegava nas águas turbulentas de uma jovem democracia. O tecto que encontraram não passava de uma cave.... Era escura e o cheiro a vinho e a pipa dominavam e forçavam o constante confronto com uma realidade impiedosa mas suportável. As divisões faziam-se com longos planos verticais de pano, pendurados no tecto de betão rugoso e húmido de um Norte rural. Foi nesse ambiente que chegou a noticia do 3º dos filhos. António Miguel.
A carnificina em terras africanas eclipsou-nos tudo, menos o mais valioso que nos assistia, a perseverança.
Foram anos de grande dificuldade, os primeiros. Os meus pais faziam do trabalho a lei dominante 7 dias por semana, e apenas a noite coberta pelo cansaço proporcionava o amor e o carinho com o qual sempre nos souberam acariciar.
No primeiro dia de escola, a professora perguntou-me: “O que gostas de fazer?” – Desenhar, respondi eu. Esse sempre fora o ponto de encontro comigo mesmo; através de uma esferográfica.
Foi uma infância livre. Os pais trabalhavam durante o dia, enquanto eu trepava árvores e caía das bicicletas. Chegava a casa empoeirado e cheio de areia nos pés. Sentava-me à mesa, invariavelmente o ultimo a comparecer, e alimentava-me daquele espírito que a 5 nunca deixou de me acompanhar. Era a minha família, e ali encontrava tudo.
Quando a minha irmã casou, já nos meus “teen”, chorei porque ela se ia embora, porque sentia que aquela mesa nunca mais seria a 5, sem intrusos nem prazos. Foi o irreversível momento de ruptura com a infância.
Com 15 anos e 2 dias, 2 carrinhas com uma vida lá dentro rumaram ao extremo oposto do país. Deixei os meus irmãos para trás, e na sombra dos pais, seguimos os passaros até ao sul, até ao mar.
Dois dias antes amigos de sempre e para sempre cantavam-me, no bolo de aniversário mais deliciosamente improvisado, um adeus camuflado de aniversário. Nessa casa ficavam memórias que me visitam nos momentos mais improváveis.
No sul encontrei o oposto da minha natureza. À dureza cruel de um abandono fraternal opôs-se um mundo que me acolheu naquele ameno cheiro a maresia.
Todas as semanas escrevia aos meus irmãos, e nunca deixei que a distancia fosse razão bastante para me afastar dos meus grandes amigos, testamentos duradouros de uma parcela de vida que não se quer esquecida.
Viver 5 primaveras no Algarve foi um privilégio, e desses dias guardo memórias densas e requintadas. Foi também esta a idade em que descobri decisivamente o meu outro ponto de encontro com o equilíbrio: a música. Recordo com sádico detalhe o local e as circunstancias exactas em que escutei os álbuns clássicos dos Floyd pela primeira vez. Foi arrebatador. Ainda é...
Porém, cedo chegou a hora de mudar, e a Faculdade de Arquitectura proporcionou a oportunidade para sair de casa, bem como o primeiro passo concreto em direcção a um sonho longínquo.
Na universidade vivi dias divertidos. Para trás ficavam 12 anos de um ensino que sempre abominei. Finalmente estudava aquilo que ambicionara ser. Desse período recordo com particular afeição o espírito da banda - Taliesin, e os mil ensaios nocturnos nos espaços da Faculdade, quando as salas se deixavam invadir pelo vazio.
Lisboa foi o magnífico 3º vector de um país que por esta altura já era “todo meu”. Novos amigos, novos territórios e o Tejo.
Durante o 4º ano do curso fui estudar para Veneza. Foi porventura o período mais rico e profundamente marcante da minha vida. Os factores decisivos foram o grupo magnífico de amigos que me acolheu, o espírito de amizade, a banda da fondamenta – McTant; um projecto académico fantástico que me fez voar, e o local mais intenso que já me permiti desfrutar. Os reflexos dessa experiência, sinto-os ainda hoje, com enorme satisfação.
O ultimo ano do curso foi menos divertido, mas desse período marcar-me-ão para sempre o dia em que conheci pessoalmente e sem intrusos a minha grande referência criativa, Roger Waters, e as lágrimas do meu pai, quando ao telefone lhe disse que tinha terminado o curso. Amo os meus pais para além de qualquer infinito...
Exercer a arquitectura tem sido um prazer continuado, pontuado pelas enumeras viagens que têm feito de mim um privilegiado cidadão do mundo. Foi precisamente nessa perspectiva que decidi em 2006 materializar o velho sonho de viver em Londres, uma cidade cujo particular contexto social, artístico e profissional sempre me fascinou. Dois anos depois chegara a altura de embarcar em nova aventura, que desta vez me trouxe até ao outro lado do mundo. Uma cultura não europeia e o hemisfério sul foram apenas algumas das razões para experimentar o que Sidnei tem para oferecer. Outros sonhos estão por realizar, mas para esses, há ainda muito mar por navegar.
Sidnei, 12 de Agosto de 2008