Para falar do design gráfico no futurismo italiano temos que falar da literatura e da poesia. São estas que vão influenciar o design gráfico e a tipografia.
Em
1913, é publicado o manifesto «Destruição da Sintaxe
- Imaginação comunicação peias - Palavras em Liberdade»,
pelo jornal Lacerba (Florença). Aqui Marinetti declara que o «futurismo
se alicerça na completa renovação da sensibilidade humana
provocada pelas grandes descobertas da ciência».
Este manifesto afirma que a sintaxe e a pontuação são
usadas de maneira a tornar as coisas/ o conteúdo mais claro para o
leitor. Fala também, do papel das tecnologias na vida da humanidade,
das suas influências na mesma, e do modo como elas transformam a vida
da humanidade. E que o próprio Ser Humano multiplica-se através
da máquina.
Marinetti refere-se à velocidade e ao movimento. Diz que a vida é
marcada pela aceleração, pelo amor ao novo, pelo amor ao perigo,
ao individualismo, e uma paixão pela cidade.
Quick,
give me the whole world thing in two words!
Marinetti in Destrution of sintax - Imagination without strings - Words-in-freedom
Já
as mulheres, amam a luxúria mais do que ao próprio amor.
Outro ponto do manifesto é o de que em qualquer parte do mundo estar
o resto do mundo através das novas tecnologias.
One
must destroy syntax and scatter noums at random... One should use infinitives...
One must abolish the adjective... abolish the adverb... One should deliberately
confound the object with the image that it evokes... abolish even pontuation!
Marinetti in Destrution of sintax - Imagination without strings - Words-in-freedom
A
sintaxe é brutalmente destruída: abandonam a pontuação,
os adjectivos, os advérbios e as conjunções, e não
põem subtítulos, as palavras vão ser escritas tal como
são faladas. Procuraram quebrar a fronteira entre as palavras e as
imagens. As próprias palavras tornavam-se imagens, pois eram escritas
com a mesma intensidade com que eram faladas. Imaginemos uma pessoa a descrever
um acontecimento, com bastante entusiasmo, comunicação de um
tema bastante agressivo. Imaginem o tom, as suas pausas, os seus gritos, o
seu silêncio,... Agora imaginem como seria a composição
tipográfica da mesma situação. As letras eram compostas
para exprimirem estados de espírito.
Numa mesma coluna poderiam existir várias fontes e tamanhos de texto.
E, por vezes eram inseridos pequenos fragmentos de publicidade no meio do
texto.
A revista Zang TumbTumb feita por Marinetti foi dos primeiros exemplos destas
palavras livres e soltas, destas palavras imagens. A capa da revista era baseada
nas formas das ondas de choque dos explosivos de alta potência e num
aeroplano de voo. Marinetti esteve na guerra, presenciou todos aqueles ruídos,
todas aquelas explosões, e o que fez foi desenhar com as letras as
formas e os ruídos.
As letras não são apenas símbolos alfabéticos,
conforme a sua posição na página, a sua cor, o seu peso,
ela transmite-nos algo diferente.
Com as palavras livres temos: imagens telegráficas, vibrações
máximas, gestos de pensamentos, variações de cores, sensações
de dimensão, de peso, de velocidade, e de ritmo.
A partir daqui não irão humanizar a natureza atribuindo-lhe
sentimentos humanos. E os itálicos eram usados para todas as palavras
que expressassem a vida pequena e molecular.
No manifesto existe uma parte da revolução tipográfica,
para mim em todo o manifesto refere-se à revolução tipográfica,
em que fala que esta começou com a renovação de um livro
do século XVII, em que utilizam na mesma página três ou
quatro cores, e uma vinte fontes diferentes se for necessário. Vão
usar itálicos para descrever sensações rápidas
e bolds em onomatopeias violentas.
Esta revolução tipográfica e esta variedade de cores
redobra a força expressiva das palavras, e as palavras são a
ilustração dos conceitos.
O design gráfico futurista pode-se encontrar em livros de poesia, literatura,
revistas, folhetos e livros.
A produção e distribuição em massa fez com que
o manifesto influenciasse a tipografia internacionalmente, como por exemplo,
o russo El Lissitzky.
Os futuristas russos viam os livros como obras de arte e incluíam partes
feitas à mão, sendo feitas poucas cópias dos seus livros.
As palavras e os versos eram livres e estes constituíam ritmos musicais. Os espaços brancos eram o silêncio.
Os futuristas glorificavam aspectos da vida do mundo moderno, tal como a velocidade, os motores dos carros, os aviões, a guerra, o barulho, os sons das cidades europeias.
Existem
várias revistas e jornais futuristas, tais como a revista Lacerba,
Campo Gráfico (a primeira foi impressa em 1933), que reunia uma nova
geração de designers italianos, sendo Edoardo Persico o membro
mais importante e que pertencia também, à revista Casabella.
Futurismo era o nome de um jornal.
Depero futurista, de Fortunato Depero foi um dos livros essenciais para a
promoção do futurismo e Design Gráfico. Este era um livro
de anúncios publicitários.
O futurismo prolonga-se na publicidade e incluí, também, a própria publicidade na literatura. Os futuristas eram eles próprios publicitários deles próprios, eles promoviam-se através dos seus trabalhos. Era um modo de prolongar e divulgar as suas ideias. Por isso aceitaram a publicidade como manifestação da vida moderna.
The
influence of the futurist style in every medium and creative area of publicity
is evident, decisively and categorically - I see it on every street corner,
on every space reserved for advertising, more or less plagiarized or stolen,
with more or less inteligence, more or less taste - my dynamic colours, my
cristalline and mechanical style, my flora, fauna, fauna and metallic, geometric
and imaginative human beings are widely imitated and exploited - I am delighted.
Depero
sílvia xavier